Cinco
vítimas
da guerra

À margem das convenções do gênero criado entre as duas grandes guerras do século 20, mais e mais filmes se voltam para a discussão das vítimas de toda e qualquer guerra.

 

1. A verdade
Marcel Ophuls No documentário sobre a guerra na Bósnia – Veillées d’armes – lembra que a primeira grande vítima da guerra é a verdade.

> ver O cinema (e a primeira
vítima da guerra, a) verdade

2. O jovem

Com O complexo Baader Meinhof de Uli Edel o cinema alemão retoma uma questão que começou a examinar em filmes como Os anos de chumbo: o terrorismo da década de 1970, quando a geração que nasceu durante a Segunda Guerra Mundial saiu da universidade para lutar contra o que identificou como uma nova face do nazismo, a guerra no Vietnam e a política dos Estados Unidos para os países árabes e latino-americanos. 

> ver A culpa do pai, a raiva do filho

3. Os sentimentos
Nota sobre Desejo e reparação, em que um conflito habitual do cinema inglês se situa em torno da Segunda Guerra Mundial.

> ver a nota Outra vez, com emoção

4. A família
Nota sobre Ventos de liberdade de Ken Loach, história da solidariedade e do conflito de dois irmãos na guerra civil na Irlanda da década de 1920 .

> ver Duas notas sobre Ken Loach

> ver também Perguntas ao vento

5. A justiça

Em agosto de 2007 dois filmes sobre a Operação Condor, um brasileiro, Condor, de Roberto Mader, e um uruguaio, Matar a todos, de Esteban Schroeder .

> ver sobre os dois filmes,
Pior que saber, só mesmo não saber

 

Cassavetes: torrente de paixões

Os tropeços de um homem e de uma mulher que enfrentam desajeitadamente os desencantos amorosos de todo o dia: Sarah diz que o amor é uma torrente contínua que não pára nunca e o Robert diz que não existe torrente nem continuidade alguma, ilusões de adolescentes, mas só um bom tempo que dura pouco: Love Streams de John Cassavetes

> ver O coração de Cassavetes

 

Rouch: o maître fou

No final da década de 1950, na véspera dos novos cinemas que apareceram em diversos países, os novos equipamentos e materiais sensíveis tornaram possivel experiências inovadoras como as de Jean Rouch, que dizia ter aprendido a fazer filmes com as pessoas que filmava.

> ver
2 ou 3 coisas sobre um verão de Paris

> ver também
Crônica de um despertar de verão

O cinematógrafo

É uma invenção sem futuro, disse Antoine Lumière ao apresentar o cinematógrafo em Paris em 1895. É o país do futuro, disse Stefan Zweig ao ser apresentado ao Brasil em 1941. Montemos as duas frases, a invenção sem futuro no país do futuro, cem anos depois da invenção do cinematógrafo.

> ver Toda a vida mais cem anos

 

Terra estrangeira

Na década de 1980, o cinema brasileiro voltou-se para um personagem que se sentia estrangeiro em sua própria terra: vivia seu presente como se estivesse no passado, em atraso com a modernidade, à espera de dias melhores no futuro.

> ver O cego às avessas

 

Cinema feminino

Talvez seja possível (talvez não) falar de uma sensibilidade cinematográfica especificamente feminina, um modo de ver e sentir as coisas que, independente de experiências históricas e culturais, fosse comum a todas as mulheres e capaz de gerar uma expressão cinematográfica diferenciada daquela feita pelos homens.

> ver A língua provisória

 

John Huston e a luz

“Numa folha de papel podemos contar alguma coisa que aconteceu” – observou John Huston – “mas num filme a coisa contada acontece diretamente na tela, no momento em que a luz se faz.”

> ver a nota Iluminismo

 

Resnais: a memória visível

“Nos filmes de Alain Resnais percebi que mecanismos do cérebro que eu acreditava ‘invisíveis’, como os da memória, podem ser representados numa imagem”, lembrou o professor Henri Laborit, em 1980, um debate após a projeção de Meu tio da América.

> ver O sótão desarrumado

> ver Morte em Veneza

 

Persona de Ingmar Bergman
Persona, de Ingmar Bergman

 

O silêncio de Bergman

Ao se retirar do cinema aos 64 anos, depois de 52 filmes (o último Fanny e Alexander, 1982) Ingmar Bergman não se retirou de todo: dirigiu ainda filmes para televisão e escreveu roteiros antes de seu último trabalho, Saraband (2003).

> ver sobre Ingmar Bergman: 1. A imágem tátil 2. O fingidor
3. Da cor à cor inexistente 4. O pesadelo do artista
5. Deus e o diabo na terra dos morangos 6. Navegar é preciso
7. Música para os olhos 8. Naufragar é preciso

 

Dinamite na cabeça

No dentista, um homem cobra não apenas o dente que perdeu: ele cobra, não paga: isso é tudo o que o espectador sabe dele em Cobrador de Paul Leduc. O poder exige que o devedor pague tudo o que não deve. O dente de trás dói muito, o cobrador está cansado de pagar. Não paga mais, cobra a vida que lhe devem: põe dinamite na cabeça do século.

> ver A cabeça sem travesseiro

 

O cão sem plumas

Com três câmeras para filmar simultaneamente, Ensaio sobre a cegueira, de Fernando Meirelles, adota uma solução que tem pontos de contato com o processo de produção de Akira Kurosawa: desde Os sete samurais, o mestre do cinema japonês coloca em torno da cena a ser filmada quatro câmeras.

> ver Crer para ver

> ver também O cão sem plumas

 

Cidadão Kane de Orson Welles
Dorothy Comingore: Cidadão Kane de Orson Welles

Una voce poco fa

Quase vinte anos antes de Bertolucci misturar cinema e ópera, Orson Welles propôs uma mistura de cinema e teatro para fazer Cidadão Kane numa reafirmação do que mostra Susan Alexander ao cantar, desafinada que uma voz sozinha é quase nada de O barbeiro de Sevilha de Rossini.

> ver sobre Orson Welles Cidadão | Televisão

>ver sobre Bernardo Bertolucci Verdi e o imperador

> ver também O ridículo de Bertolucci

> e ainda A face oculta da lua

Ivan, o terrivel, de Sergei Eisenstein

Ivan, o terrivel, de Sergei Eisenstein

Da montagem à mixagem

Antes de Bertolucci e de Welles, Eisenstein imaginou o cinema entre o teatro e ópera, entre a montagem e a mixagem: do tiro silencioso que abre o massacre do Potemkin até a musicalidade visual de Ivan, o terrível .

>ver: Efetivo afetivo

Outubro, o velho e o novo

O trator, a locomotiva, a colisão

As listras do sarape, as linhas do engenheiro e a rã rechonchuda

e também um conjunto de planos de ¡Que viva México! em

A câmera como um lápis, o lápis como uma câmera.

O eclipse de Antonioni

A partir da segunda metade do século 20, sugere Antonioni em Profissão: repórter e em Identificação de uma mulher as pessoas passaram a viver como repórteres, presenciam os fatos mas não agem.

> ver textos sobre Identificação de uma mulher

e sobre Profissão: repórter

 

> ver mais textos sobre

> cinema brasileiro

>
cinema documentário

>
cinema e pintura

>
cinema e literatura

>
cinema latino-americano

> cinema norte-americano

 

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Cinco
notas sobre o
espectador

De quando em quando um filme coloca em cena personagens que representam o espectador de cinema ou que na história narrada age como um espectador.

1.

O título do filme de Walter Lima Jr., A ostra e o vento , pode ser visto também como imagem da relação entre o espectador (fechado na sala de projeção como uma ostra) e o filme no instante da projeção (aberto para todos os lados como vento) .

> ver
imagiNação

2.

Quase ao mesmo tempo Woody Allen e Wim Wenders, levaram à tela conversas sobre as relações entre o cinema e o espectador:

A rosa púrpura do Cairo

e Paris Texas.

> ver
A rosa púrpura de Berlin

3.

Em três filmes de Alfred Hitchock da metade da década de 1950 James Stewart age em cena como um espectador: Janela indiscreta,

Um corpo que cai

e Festim diabólico.

> ver

A janela discreta
do espectador

4.

Até a década de 1950, o principal impulso para fazer cinema no Brasil foi uma vontade de espectador, de retomar a emoção sentida na projeção de um filme estrangeiro.

> ver

A cachoeira no jardim

5.

A refilmagem de King Kong por Peter Jackson se divide entre o desejo de ser o filme de hoje e para hoje e o de encontrar um espectador de ontem, do tempo da primeira versão de King Kong de 1933.

> ver A democracia relativa

 

Alto risco

Conduta de risco (Michael Clayton) de Tony Gilroy se serve do tradicional herói solitário do cinema norte-americano para reforçar a denúncia que aqui e ali corre na imprensa: as grandes corporações corrompem políticos e advogados para garantir a impunidade.

> ver
Conduta de alto risco

 

Os não culpados

Nota sobre três filmes sobre os Estados Unidos como um lugar sob a proteção e a ameaça de uma mesma força bruta: Zodiac, de David Fincher, Onde os fracos não têm vez, de Joel e Ethan Coen, e Paranoid Park, de Gus van Sant.

> ver

A inocência do culpado

 

Fora de quadro

No cinema nem sempre o que um filme nos diz, o centro da ação, a razão mesma da imagem, está no centro do quadro. Vicky Cristina Barcelona de Woody Allen por exemplo: a história que se conta está quase todo o tempo fora de quadro.

> ver Quadro esquadro fora de quadro

> ver também Exteriores e

A rosa púrpura de Berlin