Montar os dois primeiros planos que encerram as narrativas de Meu nome não é Johnny, de Mauro Lima, e Tropa de elite, de José Padilha, permite examinar melhor as formas de composição dos dois filmes e os diferentes desenhos do traficante que vende drogas nos bairros de classe média alta, no filme de Lima, e na favela, no filme de Padilha.
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>ver a nota O espectador de elite
O primeiro longa-metragem de Gustavo Spolidoro, prossegue e amplia a experiência de seus primeiros filmes de curta metragem, feitos com um único plano em que a câmera se movimenta quase todo o tempo e passa por diversas situações. Em Ainda orangotangos, um único plano que se movimenta por diversas situações e diferentes personagens, mas agora um plano com a duração de pouco mais de 80 minutos.
> ver a nota Ainda Lumière
À primeira vista Conduta de risco (Michael Clayton) de Tony Gilroy se serve do tradicional herói solitário do cinema norte-americano para reforçar a denúncia que aqui e ali corre na imprensa: as grandes corporações corrompem políticos e advogados para garantir a impunidade. Na realidade ocorre o inverso: o filme se serve da (aparente) denúncia para reforçar seu herói e modelo de construção dramática.
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Por trás da violência que expõe em primeiro plano – a de um homem que se aproveita da proibição do aborto na Romênia do final da década de 1980 contra uma jovem grávida e sua amiga – o filme de Cristian Mungiu (Palma de Ouro no Festival de Cannes, 2007) discute um outro conflito, mais duro, mais complexo e ambíguo: o que se passa entre as duas jovens, Gabita (Laura Vasiliu, na foto) e Otilia. A primeira aparece pouco na imagem, quase todo o tempo voltada para Otília, mas a narrativa seca do filme está na verdade intetessada em Gabita.
> ver a nota A voz muito rouca da luz

O espaço dramático é aquele mesmo encontrado na maior parte das histórias contadas nos filmes produzidos na Inglaterra: nele, personagens que não sabem como expressar suas emoções. Desejo e reparação (Atonement) retoma, e com a qualidade e elegância habitual dos filmes ingleses que se voltam para a questão, a história de pessoas oprimidas emocionalmente: aqui elas estão na Inglaterra de pouco antes pouco deppois do começo da Segunda Guerra Mundial.
> ver a nota Outra vez, com emoção

Em agosto, Condor, de Roberto Mader. Em setembro, Matar a todos, de Esteban Schroeder. Um documentário brasileiro e uma ficção uruguaia começaram a discutir a Operação Condor alguns meses antes da justiça italiana expedir mandado de prisão contra 140 militares e responsáveis pelos chamados serviços de inteligência envolvidos na morte de cidadãos italianos na década de 1970. “Tienen que volver a contarme la historia de nuevo, y siempre la voy reelaborando, la reinventando, y por otro lado siempre olvido cosas”, diz Eva Grisonas num depoimento em que conta como se deu conta da morte de seus pais e do seqüestro dela e do irmão do Uruguai para um orfanato no Chile.
> ver nota sobre os dois filmes,
Pior que saber, só mesmo não saber
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Depois de Zodiac, de David Fincher, a exibição em cinemas brasileiros de Onde os fracos não têm vez (No Country for Old Men), de Joel e Ethan Coen, e de Paranoid Park, de Gus van Sant, permite recuperar a conversa que eles estabeleceram de modo espontâneo no Festival de Cannes em maio de 2007: os três filmes parecem pensar a América de agora como um lugar em que se vive sob a proteção e sob a ameaça de uma força bruta: o que move a sociedade é também o que a destrói.
A vida dos outros, (Das Leben der anderen, de Florian von Donnersmarck, 2006) retoma um personagem que passou recentemente (1999) por um outro filme alemão, Passeio noturno (Wege in die Nacht, de Andreas Kleinert): um agente da polícia de segurança do estado, a Stasi, em crise um pouco antes um pouco depois da queda do muro de Berlim. Wiesler, no filme de von Donnersmarck, o muro ainda de pé, Walter, no filme de Kleinert, logo depois do muro, formam parte de um amargo retrato da reunificação alemã.
> ver a nota O ouvidor
O título do novo filme de Hector Babenco mais do que se referir à história que conta se refere ao modo de contar: O passado procura um diálogo com a tradição do melodrama no cinema latino-americano – nem tão familiar ao cinema brasileiro, mas presença fundamental na cinematografia mexicana e também na argentina.
>ver a nota A reinvenção do passado