Ana Carolina

“Me deixa falar!” na primeira fala do primeiro filme de ficção de Ana Carolina, Mar de rosas a vontade que impulsiona o cinema feito por mulheres na América Latina.

> ver A língua provisória

> ver também Desabafo

 

Antonioni

Em Profissão: repórter, O mistério de Oberwald e Identificação de uma mulher Michelangelo Antonioni diz que começávamos a viver como repórteres, presenciando os fatos mas impedidos de agir.

>ver Deformação profissional e
A fechadura e a grade na janela

 

Bergman

Em Persona (1966), Ingmar Bergman retoma a idéia de foto-montagem tal como praticada na década de 1920. Produz um rosto de mulher de estranheza semelhante à que resulta dos retratos de Luis Buñuel que Man Ray fez em 1943 ao montar dois negativos de 1929.

> ver Rosto, máscara, persona
> ver também outros textos sobre filmes de Ingmar Bergman

 

Bertolucci

Quando Bernardo Bertolucci começou a fazer filmes o cinema questionava o hábito de se mostrar como uma imitação da realidade para se pensar como uma realidade à parte, uma forma mais próxima da ópera.

> ver a nota O ridículo de Bertolucci

> ver também Verdi e o imperador

> ver ainda A face oculta da lua

 

Bressane

O cinema para Júlio Bressane faz fronteira com todas as artes e existe como se fosse um prefixo: um trans, prefixo indicador de trânsito, de movimento em torno de.

> ver O deserto em transe,
> ver também Sonhando o sonho
e No mar da tranquilidade

Coutinho

Um depoimento gravado pouco depois da realização de Santo forte e análises de Cabra marcado para morrer, O fio da memória, Boca do lixo e Jogo de cena, documentários de um dos mais prestigiosos realizadores contemporâneos, Eduardo Coutinho.

> ver O vazio do quintal

> Conversa indisciplinada

> O Brasil por conta de nós próprio

> O fim e o começo de tudo

> Sobre Jogo de cena e Juízo de Maria Augusta Ramos ver A câmera lúcida

 

Eisenstein

Entre Potemkin (o tiro silencioso na cabeça da mulher na escadaria de Odessa) e Ivan (a musica dos olhos de Efrosinia, Kurbski e Anastásia), Eisenstein pensou um cinema com a idéia de montagem substituída pela de mixagem.

> ver: Efetivo afetivo e também
imagens de ¡Que viva México! em
A câmera como um lápis,
o lápis como uma câmera
.

 

Fellini

Um jeito de criança e uma atmosfera de circo são os pontos de partida para uma caricatura em que a aparência primeira da realidade é transposta para a realidade dos sonhos.

> ver sobre o cinema de Federico Fellini
A vida como um palco iluminado

Recordações de amanhã
Sonhadores do mundo todo, uni-vos
A estratégia da aranha

Joaquim

Joaquim Pedro de Andrade escolheu cinema porque certo dia viu Simão do deserto de Buñuel e fez filmes que nos fazem pensar que sem eles o cinema não vale a pena.

> ver os textos:
A redenção pelo excesso de pecado e
Ponderações sobre o imponderável

 

Peixoto

O cinema era uma promessa de visão ilimitada quando em Limite de Mário Peixoto propõe que, ao contrário, a fotografia e o cinema limitam a visão  – e que desta limitação resulta sua força expressiva.

> ver O lugar sem limites



Saura

Uma cena de Elisa, vida mia lembra uma imagem de A hora do lobo: Em Saura Elisa diante do espelho arranca a pele do rosto. Em Bergman uma mulher arranca a pele da cara para ouvir a música sussurrada num cravo.

> ver Elisa na hora do lobo
> ver À flor da pele

> ver também A pele do lobo

 

Welles

Uma mistura de cinema e teatro faz Cidadão Kane - uma voz sozinha consegue pouco, reafirma o cinema de Orson Welles quando Susan Alexander canta, grita meio desafinada, O barbeiro de Sevilha de Rossini.

> ver Cidadão | Televisão

 

Wenders

Quase ao mesmo tempo um americano influenciado pelo cinema europeu (Allen: A rosa púrpura do Cairo) e um europeu influenciado pelo cinema norte-americano (Wenders: Paris Texas) levaram à tela filmes sobre as relações entre o cinema e o espectador.

> ver A rosa púrpura de Berlin

> ver ainda sobre o diálogo entre o cinema norte americano e o cinema europeu:
Coisas que esqueci mas que
não me saem da memória

 

O espectador

Talvez, pelo menos até a década de 1950, o principal impulso para fazer cinema no Brasil tenha sido uma vontade de espectador, de retomar a emoção sentida na projeção de um filme estrangeiro.

> ver A cachoeira no jardim

 

Imaginemos

Uma coisa que é ao mesmo tempo ostra e vento. Que é imóvel, fechado e também o que não tem forma nem corpo. O título do filme de Walter Lima Jr., A ostra e o vento, além de imagem do conflito que narra, pode ser visto como a expressão de uma imobilidade toda movimento: a relação entre o espectador e o filme no instante da projeção.

> ver ImagiNação

 

A terra estrangeira

Na década de 1980, o cinema brasileiro voltou-se para um personagem que se sentia estrangeiro em sua própria terra. Estrangeiro por sentir seu presente como se vivesse no passado, em atraso com a modernidade, à espera de dias melhores no futuro.

> ver O cego às avessas

 

Akira Kurosawa, outubro de 1988, Tóquio. Foto: José Carlos Avellar

Akira Kurosawa, outubro de 1988, Tóquio

O cão de Kurosawa

O cinema tem carateristicas de muitas outras artes, mas é essencialmente ele mesmo, observou certa vez Akira Kurosawa depois de lembrar uma composição escolar em que um menino compara seu cachorro com outros bichos para concluir que de verdade o cachorro dele se parece mesmo é com um cachorro.

> ver O cão sem plumas
> ver
O cinema no túnel de Van Gogh
> ver também O castelo bem assombrado
> ver ainda O gesto como ideograma

 

Hiroshima, meu amor de Alain Resnais
Hiroshima, meu amor de Alain Resnais

 

O cérebro de Resnais

Eu trabalho sobre o funcionamento do cérebro”, disse num debate sobre Meu tio da América o professor Henri Laborit, “e nos filmes de Alain Resnais percebi que mecanismos do cérebro, como os da memória, poderiam ser representados numa imagem”.

> ver O sótão desarrumado
> ver também Morte em Veneza sobre L’amour à mort
> ver
ainda O primeiro Resnais sobre Hiroshima, meu amor e Ano passado em Marienbad

 

A normalidade de Lynch

A normalidade fabrica monstros através dos acidentes provocados pelas máquinas pelos regulamentos e regras do bem-estar social, pelo olhar preconceituoso, sugere David Lynch em O homem elefante Não por acaso, antes de encontrar o personagem desta história o espectador vê um trabalhador deformado por um acidente de trabalho.

> ver A danação da norma

 

Os óculos de Woody Allen

Primeiro ele criou um tipo, um personagem. Depois outros da mesma família. E finalmente uma imagem cinematográfica inspirada neles. Tal como os personagens de Woody Allen a câmera de seus filmes de quando em quando gagueja.

> ver Os óculos de Woody Allen
> ver também: Gago apaixonado ,
Quadro esquadro fora de quadro,
O oftalmologista e a miopia de Deus e Exteriores

 

John Cassavetes, fevereiro de 1984, Festival de Berlim. Foto: José Carlos Avellar

John Cassavetes, fevereiro de 1984, Festival de Berlim

O coração de Cassavetes

Os tropeços de um homem e de uma mulher que não sabem como enfrentar os desencantos amorosos de todo o dia: Love Streams. Sarah Lawson (Gena Rowlands) diz que o amor é uma torrente contínua que não pára nunca. Robert Harmon (John Cassavetes) diz que não existe torrente nem continuidade alguma, só um bom tempo que dura pouco.

> ver O coração de Cassavetes

 

O dente de Leduc

No dentista, um homem cobra não apenas o dente que perdeu: ele cobra, não paga: isso é tudo o que o espectador sabe dele em Cobrador de Paul Leduc. O poder exige que o devedor pague tudo o que não deve. O dente de trás dói muito, o cobrador está cansado de pagar. Não paga mais, cobra a vida que lhe devem.

> ver A cabeça sem travesseiro

 

John Huston, maio de 1984, Festival de Cannes. Foto: José Carlos Avellar

John Huston, maio de 1984, Festival de Cannes

A luz de Huston

“Numa folha de papel podemos contar alguma coisa que aconteceu e se contamos corretamente as pessoas acreditam no que está escrito. Mas num filme – diz John Huston – as pessoas acreditam naquele exato momento em que a coisa acontece, em que a luz se faz.”

> ver Iluminismo

 

A cegueira de Meirelles

Ensaio sobre a chegueira / Blindness é em parte uma imagem tomada do texto de José Saramago, a condição contemporânea como uma cegueira branca, uma forma radical de agnosia como explica o oftalmologista: o olho vê mas o cérebro não reconhece o que o olho percebe. Em parte uma imagem que pertence ao universo do cinema como o seu contracampo absoluto: o não ver.

> ver Crer para ver

 

O vento de Loach

Lembrar Vida em família depois de Ventos de liberdade deixa a sensação de que o titulo deste filme de Ken Loach parece um trailer do que ele fez em seguida: a vida em família está no centro dos conflitos dos vários filmes que ele fez em seguida.

> ver Duas notas sobre Ken Loach

> ver ainda Perguntas ao vento

 

O primeiro século

Antoine Lumière ao apresentar o cinematógrafo, em Paris, em 1895 : ”É uma invenção sem futuro”. Stefan Zweig ao ser apresentado ao Brasil em 1941: ”É o país do futuro”. Montemos as duas frases – Antoine Zweig, Stefan Lumière – a invenção sem futuro no país do futuro, para pensar o presente do cinema 1oo anos depois da do cinematógrafo.

> ver Toda a vida mais cem anos

 

A crítica

O aparecimento do Neo-realismo italiano influenciou a produção de filmes brasileiros e o modo de pensar o cinema. Numa série de textos a Revista de Cinema, editada em Belo Horizonte, propôs a uma revisão do método critico a partir da experiência do Neo-realismo.

> ver O grande momento

> ver também

A arte da crítica e a crítica da arte e ainda

Três hipóteses sobre a crítica


> ver também :

> textos sobre cinema brasileiro

> textos sobre cinema documentário

> textos sobre cinema e pintura

> textos sobre cinema e literatura

> textos sobre cinema latino-americano

> textos sobre cinema norte-americano

> textos sobre cinema europeu

 

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Nacional e
estrangeiro

Quase ao mesmo tempo em que Dalton Trumbo filmava o seu livro Johnny vai à guerra, Leon Hirszman filmava o livro de Graciliano Ramos, São Bernardo duasconversas sobre aleijões humanos um vitima de uma explosão na Primeira Guerra Mundial, o outro de uma implosão na guerra econômica.
> ver Nacional e estrangeiro

 

Paul Strand

Talvez seja possível imaginar que o fotógrafo Paul Strand construiu seu modo de ver o mundo com um diálogo simultâneo com a fotografia, a pintura e o cinema; e imaginar que no instante em que ele descobria na pintura como se inventar como fotógrafo os pintores descobriam no cinema como reinventar a pintura.

> ver A idade da luz

 

Dois argentinos
em preto e branco

1. A grande indústria do audiovisual trabalhava as novas possibilidades de invenção de mundos imaginários de uma aparência mais real que a da própria realidade visível quando Pablo Trapero fez seu primeiro filme com uma imagem preto e branco fortementre granulada: Mundo grúa.

> ver Mundo grão

 

2. Primeiro, a vontade de contar uma história. Israel Adrián Caetano diz que faz cinema movido pelo desejo de contar histórias. A história não existe antes da vontade de contar uma história, o tema não existe antes da história – assim surgiu Bolívia, primeiro veio a vontade de encontar uma história para ser contada em preto e branco.

> ver
O ar difícil de respirar

 

Dois alemães no
tempo do muro

1. Com O complexo Baader Meinhof de Uli Edel o cinema alemão retoma uma discussão iniciada em filmes como Os anos de chumbo, A viagem,Alemanha no outono, Stammheim e A faca na cabeça: a rebeldia radical e o terrorismo da década de 1970.

> ver A culpa do pai,
a raiva do filho

2. Em A vida dos outros Florian von Donnersmarck, retoma um personagem que passou por um outro filme alemão, Passeio noturno de Andreas Kleinert: um agente da polícia de segurança do estado, a Stasi, em crise um pouco antes um pouco depois da queda do muro de Berlim.

> ver O ouvidor

 

Primeiro plano

Montar os dois primeiros planos que encerram as narrativas de Meu nome não é Johnny, de Mauro Lima, e Tropa de elite, de José Padilha, permite examinar melhor as formas de composição dos dois filmes.

> ver a nota Duas caras

>ver a nota O espectador de elite

 

Plano-seqüência

No começo de O jogador de Robert Altman e no final de Profissão repórter de Michelangelo Antonioni uma imagem que Pier Paolo Pasolini definia como a fusão do extremo da objetividade e da subjetividade, o plano-seqüência.

> ver Agulha no palheiro

e também
A continuidade descontinua

 

 

Um plano só

Em 1991 o mexicano Jaime Humberto Hermosillo realizou um longa-metragem de um único plano, La tarea.

Em 2007 Gustavo Spolidoro realizou seu primeiro filme longo em um único plano,
Ainda orangotangos.

 

A fotografia

Muitas coincidências ligam um filme de Murilo Salles e um de Carlos Prates Correa, feitos em 1984: uma comum origem num texto literário, antes de mais nada: Nunca fomos tão felizes vem de Alguma coisa urgentemente, conto de João Gilberto Noll. Noites do sertão vem do romance Buriti de João Guimarães Rosa.

> ver A literatura fotográfica

 

Memória
de Cannes

Antes da festa do tapete vermelho nas escadarias do auditório Lumière para as sessões de gala, o principal ritual do Festival de Cannes eram os debates entre diretores, produtores, intérpretes e críticos de cinema depois das projeções especiais para a imprensa.Quatro páginas fotográficas lembram estes encontros

> ver Cannes 60 anos

 

O cárcere

Em documentários e em filmes de ficção o cinema brasileiro tem visitado ou se instalado na prisão para, simultaneamente, discutir a questão carcerária e tomar a imagem do cárcere como uma representação da condição brasileira, como uma reiteração do que certa vez anotou Graciliano Ramos: liberdade completa, ninguém desfruta

> ver Memórias do cárcere


O passado

O título do novo filme de Hector Babenco mais do que se referir à história que conta se refere ao modo de contar: O passado procura um diálogo com a tradição do melodrama no cinema latino-americano.

>ver A reinvenção do passado

 

Rádio-cine

Em 1946 O ébrio de Gilda de Abreu  repetiu no cinema o sucesso de público da canção de Vicente Celestino no rádio com a história de um médico rico e famoso que se reduz a um ébrio “apedrejado pelas ruas, sem lar e sem parentes”, para “esquecer a ingrata que amava e que o abandonou”.

> ver No tempo do rádio