Quase ao mesmo tempo um americano influenciado pelo cinema europeu (Allen: A rosa púrpura do Cairo) e um europeu influenciado pelo cinema norte-americano (Wenders: Paris Texas) levaram à tela filmes sobre as relações entre o cinema e o espectador.
> ver A rosa púrpura de Berlin
> ver também sobre Woody Allen:
Quadro esquadro fora de quadro
O oftalmologista e a miopia de Deus
> ver ainda sobre o diálogo entre o cinema norte americano e o cinema europeu:
Coisas que esqueci mas
que
não me saem da memória
Ana Carolina
“Me deixa falar!” na primeira fala do primeiro filme de ficção de Ana Carolina, Mar de rosas a vontade que impulsiona o cinema feito por mulheres na América Latina.
> ver A língua provisória
> ver também Desabafo
Em Profissão: repórter, O mistério de Oberwald e Identificação de uma mulher Michelangelo Antonioni diz que começávamos a viver como repórteres, presenciando os fatos mas impedidos de agir.
>ver Deformação profissional e
A fechadura e a grade na janela
Bergman
Em Persona (1966), Ingmar Bergman retoma a idéia de foto-montagem tal como praticada na década de 1920. Produz um rosto de mulher de estranheza semelhante à que resulta dos retratos de Luis Buñuel que Man Ray fez em 1943 ao montar dois negativos de 1929.
> ver Rosto, máscara, persona
> ver também outros textos sobre filmes de Ingmar Bergman
Bertolucci
Quando Bernardo Bertolucci começou a fazer filmes o cinema questionava o hábito de se mostrar como uma imitação da realidade para se pensar como uma realidade à parte, uma forma mais próxima da ópera.
> ver a nota O ridículo de Bertolucci
> ver também Verdi e o imperador
> ver ainda A face oculta da lua
Bressane
O cinema para Júlio Bressane faz fronteira com todas as artes e existe como se fosse um prefixo: um trans, prefixo indicador de trânsito, de movimento em torno de.
> ver O deserto em transe,
> ver também Sonhando o sonho
e No mar da tranquilidade
Coutinho
Um depoimento gravado pouco depois da realização de Santo forte e análises de Cabra marcado para morrer, O fio da memória, Boca do lixo e Jogo de cena, documentários de um dos mais prestigiosos realizadores contemporâneos, Eduardo Coutinho.
> ver O vazio do quintal
> O Brasil por conta de nós próprio
Eisenstein
Entre Potemkin (o tiro silencioso na cabeça da mulher na escadaria de Odessa) e Ivan (a musica dos olhos de Efrosinia, Kurbski e Anastásia), Eisenstein pensou um cinema com a idéia de montagem substituída pela de mixagem.
> ver: Efetivo afetivo e também
imagens de ¡Que viva México! em
A câmera como um lápis,
o lápis como uma câmera.
Fellini
Um jeito de criança e uma atmosfera de circo são os pontos de partida para uma caricatura em que a aparência primeira da realidade é transposta para a realidade dos sonhos.
> ver sobre o cinema de Federico Fellini
O engenheiro do sonho
A vida como um palco iluminado
Recordações de amanhã
Sonhadores do mundo todo, uni-vos
Joaquim
Joaquim Pedro de Andrade escolheu cinema porque certo dia viu Simão do deserto de Buñuel e fez filmes que nos fazem pensar que sem eles o cinema não vale a pena.
> ver os textos:
A redenção pelo excesso de pecado e
Ponderações sobre o imponderável
O começo é o mesmo e simultaneamente diferente. Cobrador – in God we trust, de Paul Leduc, e O cobrador, de Rubem Fonseca têm começos iguais. Mas diferentes.
> ver A cabeça sem travesseiro
> ver mais sobre cinema e literatura
Peixoto
O cinema era uma promessa de visão ilimitada quando em Limite de Mário Peixoto propõe que, ao contrário, a fotografia e o cinema limitam a visão – e que desta limitação resulta sua força expressiva.
> ver O lugar sem limites
Saura
Uma cena de Elisa, vida mia lembra uma imagem de A hora do lobo: Em Saura Elisa diante do espelho arranca a pele do rosto. Em Bergman uma mulher arranca a pele da cara para ouvir a música sussurrada num cravo.
> ver Elisa na hora do lobo
> ver À flor da pele
> ver também A pele do lobo
A grande indústria do audiovisual trabalhava as novas possibilidades de invenção de mundos imaginários de uma aparência mais real que a da própria realidade visível quando Pablo Trapero fez seu primeiro filme com uma imagem preto e branco fortementre granulada: Mundo grúa.
> ver Mundo grão

“Eu trabalho sobre o funcionamento do cérebro”, disse num debate sobre Meu tio da América o professor Henri Laborit, “e nos filmes de Alain Resnais percebi que mecanismos do cérebro, como os da memória, poderiam ser representados numa imagem”.
> ver O sótão desarrumado
> ver também Morte em Veneza

Akira Kurosawa, outubro de 1988, Tóquio
O cinema tem carateristicas de muitas outras artes, se parece com a literatura, o teatro, a pintura, a música, mas é essencialmente ele mesmo, observou certa vez Akira Kurosawa depois de lembrar uma composição escolar em que um menino compara seu cachorro com vários outros bichos para concluir que de verdade o cachorro dele se parece mesmo é com um cachorro.
> ver O cão sem plumas
> ver também Crer para ver e ainda O cinema no túnel de Van Gogh

John Huston, maio de 1984, Festival de Cannes
“No cinema, tudo se resume a trabalhar com a luz. Numa folha de papel podemos contar alguma coisa que aconteceu” - observou John Huston. “Se conseguimos contar corretamente as pessoas acreditam no que está escrito. Mas num filme a coisa contada acontece lá e, as pessoas acreditam, naquele exato momento em que a luz se faz.”
> ver Iluminismo
Uma coincidência feliz trouxe aos cinemas quase ao mesmo tempo dois documentários que alternam depoimentos das pessoas que viveram de verdade os fatos narrados com a reconstituição ou repetição de todo o depoimento ou de parte dele por intérpretes: pouco depois de Jogo de cena, de Eduardo Coutinho, surge Juízo de Maria Augusta Ramos.
> ver A câmera lúcida
> ver mais sobre cinema documentário
Uma coisa que é ao mesmo tempo ostra e vento. Que é imóvel, fechado e também o que não tem forma nem corpo. O título do filme de Walter Lima Jr., A ostra e o vento, além de imagem do conflito que narra, pode ser visto como a expressão de uma imobilidade toda movimento: a relação entre o espectador e o filme no instante da projeção.
> ver ImagiNação

Lembrar Vida em família depois de Ventos de liberdade deixa a sensação de que o titulo deste filme de Ken Loach parece um trailer do que ele fez em seguida: a vida em família está no centro dos conflitos dos vários filmes que ele fez em seguida.
> ver Duas notas sobre Ken Loach
> ver também Perguntas ao vento
Antoine Lumière ao apresentar o cinematógrafo, em Paris, em 1895 : ”É uma invenção sem futuro”. Stefan Zweig ao ser apresentado ao Brasil em 1941: ”É o país do futuro”. Montemos as duas frases – Antoine Zweig, Stefan Lumière – a invenção sem futuro no país do futuro, para pensar o presente do cinema 1oo anos depois da do cinematógrafo.
> ver Toda a vida mais cem anos
Na década de 1980, o cinema brasileiro voltou-se para um personagem que se sentia estrangeiro em sua própria terra. Estrangeiro por sentir seu presente como se vivesse no passado, em atraso com a modernidade, à espera de dias melhores no futuro.
> ver O cego às avessas
Talvez, pelo menos até a década de 1950, o principal impulso para fazer cinema no Brasil tenha sido uma vontade de espectador, de retomar a emoção sentida na projeção de um filme estrangeiro.
> ver A cachoeira no jardim
O aparecimento do Neo-realismo italiano influenciou a produção de filmes brasileiros e o modo de pensar o cinema. Numa série de textos a
Revista de Cinema, editada em Belo Horizonte, propôs a uma revisão do método critico a partir da experiência do Neo-realismo.
> ver O grande momento
> ver também A arte da crítica e a crítica da arte
e ainda Três hipóteses sobre a crítica
> ver textos sobre cinema brasileiro
> ver textos sobre cinema documentário
> ver textos sobre cinema e pintura
> ver textos sobre cinema e literatura
> ver textos sobre cinema latino-americano
Com O complexo Baader Meinhof de Uli Edel o cinema alemão retoma uma discussão iniciada em filmes como Os anos de chumbo, A viagem,Alemanha no outono, Stammheim e A faca na cabeça: a rebeldia radical e o terrorismo da década de 1970.
> ver a nota A culpa do pai, a raiva do filho
A vida dos outros,de Florian von Donnersmarck, (2006) retoma um personagem que passou por um outro filme alemão, Passeio noturno de Andreas Kleinert (1999): um agente da polícia de segurança do estado, a Stasi, em crise um pouco antes um pouco depois da queda do muro de Berlim.
> ver O ouvidor
Montar os dois primeiros planos que encerram as narrativas de Meu nome não é Johnny, de Mauro Lima, e Tropa de elite, de José Padilha, permite examinar melhor as formas de composição dos dois filmes.
> ver a nota Duas caras
>ver a nota O espectador de elite
No começo de O jogador de Robert Altman e no final de Profissão repórter de Michelangelo Antonioni uma imagem que Pier Paolo Pasolini definia como a fusão do extremo da objetividade e da subjetividade, o plano-seqüência.
> ver Agulha no palheiro
e também
A continuidade descontinua
Em 1991 o mexicano Jaime Humberto Hermosillo realizou um longa-metragem de um único plano, La tarea.
Em 2007 Gustavo Spolidoro realizou seu primeiro filme longo em um único plano,
Ainda orangotangos.
Muitas coincidências ligam um filme de Murilo Salles e um de Carlos Prates Correa, feitos em 1984: uma comum origem num texto literário, antes de mais nada: Nunca fomos tão felizes vem de Alguma coisa urgentemente, conto de João Gilberto Noll. Noites do sertão vem do romance Buriti de João Guimarães Rosa.
> ver A literatura fotográfica
Antes da festa do tapete vermelho nas escadarias do auditório Lumière para as sessões de gala, o principal ritual do Festival de Cannes eram os debates entre diretores, produtores, intérpretes e críticos de cinema depois das projeções especiais para a imprensa.Quatro páginas fotográficas lembram estes encontros
> ver Cannes 60 anos
Em documentários e em filmes de ficção o cinema brasileiro tem visitado ou se instalado na prisão para, simultaneamente, discutir a questão carcerária e tomar a imagem do cárcere como uma representação da condição brasileira, como uma reiteração do que certa vez anotou Graciliano Ramos: liberdade completa, ninguém desfruta
> ver Memórias do cárcere
O título do novo filme de Hector Babenco mais do que se referir à história que conta se refere ao modo de contar: O passado procura um diálogo com a tradição do melodrama no cinema latino-americano.
Uma mistura de cinema e teatro faz Cidadão Kane - uma voz sozinha consegue pouco, reafirma o cinema de Orson Welles quando Susan Alexander canta, grita meio desafinada, O barbeiro de Sevilha de Rossini.
> ver Cidadão | Televisão
Em 1946 O ébrio de Gilda de Abreu repetiu no cinema o sucesso de público da canção de Vicente Celestino no rádio com a história de um médico rico e famoso que se reduz a um ébrio “apedrejado pelas ruas, sem lar e sem parentes”, para “esquecer a ingrata que amava e que o abandonou”.
> ver O cinema do tempo do rádio